quarta-feira, 31 de julho de 2013

Novas Lendas e Verdades pelo Mundo

Pesquisas paranormais que permeiam histórias mundiais 

 

     Queridos leitores estive ausente durante alguns meses, pois andei pelo mundo em busca de mais Lendas e Verdades pra contar para todos vocês. Serão novas Séries no Recife, Rio de Janeiro, Argentina e Peru (Inka). Histórias e pesquisas que trarão muitas revelações.


     Na Série Rio de Janeiro, ações paranormais no Museu Aeroespacial, em Deodoro, com direito a uma interação com um espírito, gravada em vídeo, na sala de briefing. Um misto de euforia e respeito.
     Na Argentina, vibrações do mercado de antiguidades na estação do Trem de La Costa. Lá existem muitas histórias de aparições, afinal numa estação tão antiga não seria novidade ter estes tipos de relatos, não acham? Passeio imperdível para quem é fã deste tipo de assunto.

   
     No Peru, um fato: toda a lenda tem o um fundo de verdade! Lugar mágico demais e muito intrigante. Foram dias percorrendo ruínas, igrejas, catacumbas, mosteiros, templos, locais sagrados, mesas de sacrifício humano, cemitérios... Pesquisei Lima, Cusco e Machu Picchu. Nossa, muito material!
    Em Recife: a praça Chora Menino. Muito sugestivo o nome carregada a lenda consigo.
     Dia 08/08 estarei em Cancún (Maia) e irei a Tulum e Chichen Itza, locais que abrigaram a civilização Maia. Lógico que também trarei muito material para dividir.
     Foz do Iguaçu e Bahia também em linha até o final de setembro.
     Ufa, agora é preparar os textos dos locais já pesquisados, separar o melhores momentos e colocar tudo no Blog pra vocês.



Catacumbas com mais de 5 mil ossadas em Lima - Peru






segunda-feira, 1 de abril de 2013

Série Rio de Janeiro - Lazareto: martírio x beleza num paraíso fantasmagórico.

              Incrustado num dos locais mais belos do Rio de Janeiro está o Lazareto. São ruínas que mesclam a beleza da paradisíaca Ilha Grande, na Enseada do Abraão, com o sofrimento imposto pelas condições e ignorância que imperavam na época, século XVII.

      Foi hospital, presídio e local de tortura na época da ditadura. Possui muitos relatos de aparições de corpo inteiro, gritos de dor, choro e sensações de náuseas para quem sofre por influências das almas que ali ainda se encontram, ou mesmo da ação do medo. Este último ponto é o mais evidente: o medo. As pessoas procuram chamar os fantasmas do local para se amedrontarem. Pode um negócio desses?      


        Um fato triste que acontecia neste local era que em épocas de cheia as celas eram inundadas pelas águas provocando muitas mortes. Várias histórias permeiam estas ruínas que hoje estão abertas a visitação e ao estudo paranormal. Aproveite para ler  sobre a origem do local que abrigou famosos da literatura Graciliano Ramos, Orígenes Lessa e os revolucionários Flores da Cunha e Agildo Barata dentre outros.

Quarentena da morte para os imigrantes Europeus
         
         Em 1884 o Lazareto era inicialmente uma casa de fazenda comprada pelo império, após foi transformado em hospital de quarentena para receber pessoas que vinham principalmente da Europa, e que chegavam em navios. Estas embarcações, cerca de 4 mil, traziam imigrantes, grande parte deles doentes, pois eram provenientes de locais com epidemias, como a cólera. 

       
          Os internos e presos observavam a beleza do local por entre as grades das “celas” que ficavam, mas grande parte deles jamais pode sair para desfrutar do encontro do mar com a bela lagoa feita pela cachoeira. Esta linda visão fica a menos de 2 metros da entrada principal da edificação e da frente das celas.
     
       
          Como hospital o Lazareto funcionou até 1913 e, é claro, que várias mortes acontecerem por lá. Inclusive porque já em 1903 fora instalada Colônia Penal para condenados a crimes comuns. Ali, muitos apodreciam.
         O fechamento do hospital se deu por conta das condições sanitárias e avanço da medicina da época. Mas, o presídio persistiu.


Colônia Penal - Presídio Federal, mais dor e revolta marcadas nas novas construções


         Em 1940, Getúlio Vargas transformou o local em presídio federal, Colônia penal Cândido Mendes. Lá foram recebidos presos comuns que estavam na Colônia de Dois Rios, bem como os presos políticos da Segunda Grande Guerra Mundial.
         Essas transferências aconteceram porque a Ilha de Fernando de Noronha, onde estavam aprisionados os presos políticos, foi cedida ao Governo americano para utilização como base Aeronaval.
         O Lazareto abrigou os presos até 1954 quando então foram transferidos de volta para Dois Rios, que também mudou de nome para Cândido Mendes.
Neste mesmo ano o Lazareto foi demolido por ordem do Governador Carlos Lacerda

Minha impressão do local



         Estar num ambiente onde tantas coisas aconteceram ao mesmo tempo, e por muitos séculos, é realmente gratificante para quem almeja estudar.
        Tudo facilita para uma boa pesquisa paranormal, pois além da história há também muita água, que é condutor natural de fenômenos paranormais. 
         O EMF (KII) obteve picos incríveis em vários locais. Os espíritos respondiam com oscilações quando perguntava algo, porém nada de o gravador registrar respostas limpas, até porque havia muita gente entorno do local o que “sujou” as provas. Tive que descartar.
         Voltar e fazer mais fotos, gravações de voz e imagem é fato acontecer. Se é assombrado? Claro que sim!
         Indico para quem gosta do assunto. Muito propício para pesquisas, porém com prudência e respeito, pois ainda há muito sofrimento...

       


domingo, 16 de dezembro de 2012

Série Rio de Janeiro - Fortaleza de Santa Cruz da Barra - o contraste da beleza com o horror

   
    Estar na Fortaleza de Santa Cruz da Barra é mágico! São muitas histórias dentro de um lugar único e cheio de registros que vão desde o início da colonização até os dias de hoje.
    Ela é, ao mesmo tempo, imponente e linda. Sua arquitetura desafia a lei gravidade e abrilhanta a bela Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Moro nesta cidade e tenho alguns locais que visito sempre e este é um deles.
  
    Entrei lá não sabia por onde começar se pela capela de Santa Bárbara - a primeira da cidade, casamatas, celas, pátios, muro de fuzilamentos, pátio da forca ou nos calabouços! Nossa, vou ter que contar a história de cada um deles pra vocês
    O que posso dizer agora é que são muito sombrias as histórias deste lugar, que teve a primeira edificação em 1555, pelas mãos do Almirante francês Nicolau Durand de Vilegaigon e só virou fortaleza em 1612. Foi presídio e local de tortura na época da ditadura militar. Precisa dizer mais alguma coisa?

Dor, isolamento, escuridão e morte  

    As celas de prisioneiros chocam pelo grau de crueldade. Sim, lá se morria muito rápido. As câmaras de torturas têm marcas nas paredes. São muitos arranhões de puro desespero de quem sabia que só poderia sair dali morto. Realmente era muito cruel.
    No início da colonização os presos morriam por si. Até porque os colonizadores eram católicos e, por isso, proibidos de matar. Vejam só... Largavam as pessoas nas celas externas e internas, nas masmorras escuras, e lá as esqueciam. Não duravam muito, cerca de três dias a uma semana. E isso não era matar? 
  
   Outro local bem sinistro é o da antiga forca vigiada por uma guarita interna. A noite se torna ainda mais assustadora e cheia de pontos iluminados. Há queixas de aparições por lá.
  O paredão de fuzilamentos converge histórias de tempos remotos e mais recentes. Uns contam que ali naquele local nada aconteceu e que era apenas um stand de tiro. Ah, tá. A gente finge que acredita! 
    A Capela de Santa Bárbara, em estilo colonial, traz até a criação de um dito popular - "Um olho no Padre e o outro na missa". Esse é ótimo e eu conto depois. Mas, lá também permeia fatos trágicos de pessoas emparedadas.
    As casamatas e as celas externas são "atrações" para quem gosta de registrar atividades paranormais e que irei mostrar aos poucos, os registros, aqui no blog. Um convite para a visita.
   
Minha impressão do local

   
    Muitos registros de frequências eletronagnéticas altas (EMF), sensações de angústia, falta de ar e taquicardia. Tirando as frenquências, o resto das sensações podem ser explicadas: local que deixa qualquer um com claustrofobia.
   Visões de canto de olho se misturam com aparições, principalmente nas celas e calabouços, em plena luz do dia.
    A câmera registrou a medição, mas infelizmente não conseguimos captar as aparições no calabouço, celas externas e nas casamatas. Muitas experiências pessoais. 
    Imperdível para quem está iniciando neste mundo do desconhecido e para quem já está nele faz tempo. 
   


domingo, 2 de dezembro de 2012

Série Recife - O Gasparzinho do Marante - assombração ou ilusão?

    Todas às vezes que viajo conheço muita gente e, por conseguinte, suas histórias. Algumas são incríveis e outras nem tanto. Esta que vou contar é bem interessante e aconteceu logo que cheguei ao Marante Plaza Hotel, em Boa Viagem. Era o início da tarde de um dia lindo em Recife e eu estava louca para começar a "assuntar" sobre as atividades da capital mais mal assombrada do país.
    Só para ficar registrado tenho um ritual quando chego aos locais onde me hospedo: registro-me e observo bem o local. Seja o hotel antigo ou novo, antes de viajar, leio sobre suas histórias e pesquiso a veracidade das mesmas. Converso muito com os funcionários, até por que posso começar o trabalho ali mesmo. Então, como vi reciprocidade já saí perguntado.

A revelação na câmera do hall

    Apresentei-me à recepcionista que se chamava Daniela Falcão (foto ao lado) e era muito simpática e falante. Disse a ela o que me levara para aquela cidade e, assim que acebei de falar, a mesma me informou sobre uns vídeos que tinham de um suposto fantasma que aparecera na câmera de segurança, por duas vezes, no hall. Meu Deus! Antes de tudo calma, pé no chão e cabeça na ciência. Mas, não poderia ter sido melhor para uma pessoa que busca relatos e fatos, não acham?  
    Então, a recepcionista contou que o vigia chamado Jorge, que trabalha na recepção das 18h às 6h da manhã, havia registrado pela segunda vez a aparição. Além disso, todas as vezes que o suposto espírito surgira era novembro e bem tarde da noite. Neste ano de 2012 aparecera no dia primeiro, quase dia dos mortos... 
    Apesar de não demonstrar medo ao tocar no assunto foi bem comedida, inclusive ao falar do colega de trabalho. Ela me contou que Jorge era uma pessoa bem tímida, mas corajosa. Pediu que eu o aguardasse, pois tinha certeza que ele me daria o depoimento, até por que gostava de mostrar aqueles vídeos que eram tão valiosos para ele.
    Mas, nem sempre ver quer dizer acreditar. Para Daniela, apesar de ter assistido as cenas várias vezes, afirmou não acreditar em "ver" fantasmas, mas em senti-los. "Eu não acredito em ver fantasmas. Eu acredito em sentir. Sentir a presença de uma pessoa. Eu acredito em sentir." - repetiu.

Vídeos, registros e outros relatos

    À noite chegou bem rápido, não sei se pela minha ansiedade, mas chegou. Eram 18h e alguns minutos e lá estava eu conversando com o Jorge (foto ao lado), que me recebeu com o sorriso dos pernambucanos. Daniela já o informara que eu o iria procurar e ele reservara os vídeos gravados e o livro de registros do hotel, onde colocou por escrito o que havia pego com a câmera.
    Jorge falou que era quase meia noite do dia primeiro para o dia dois de novembro quando ao olhar para a câmera de segurança teve uma visão bem familiar, era o "Gasparzinho", assim que ele o apelidou. A aparição que vira anteriormente voltara. Com o Jorge estava um outro funcionário naquela hora. Gravaram tudo.

    Ambos os vídeos eram de boa qualidade e realmente feitos pela câmera posicionada na frente do hall do hotel. A primeira gravação era de algo parecido com o "bonequinho da empresa de telefonia VIVO”, e foi bem rápido. Já o segundo foi mais intenso, e com o recurso de desacelerar a gravação pude ver algo como o mesmo bonequinho só que com "cabelo". Era assim que parecia.
    Com a fé muito forte na religião Jorge, que é Cristão, me disse não ter medo, afinal já passou por situações piores como num outro hotel que trabalhou.

     Lá, além de um elevador que subia sozinho para o sexto andar tinha também um fantasma que liga pra recepção e pedia coisas, só que não havia minguem hospedado no quarto em que teriam sido feitos os pedidos. Nossa, assombrado este rapaz. Mas, ele não tem medo. "São almas sebosas. Não tenho medo."- disse.



Minha impressão do local

   Depois de ouvir a história e ver os vídeos imediatamente peguei o EMF e fiz a mediação. Checamos tudo e não achamos nada.  Olhei as árvores ao redor, chequei se os faróis dos carros poderiam atingir a reta da câmera e sim poderiam, mas não era isso que refletia na câmera a ponto de formar àquela figura. Precisaria de mais alguma coisa. Fato, o local estava "limpo".
    Então levei os vídeos e fui analisar. Qual a minha surpresa quando o olhei numa tela maior e ví que pelo movimento era uma aranha! Sim!!! Aranha + brilho do farol dos carros ou de alguma iluminação local provocou esta sensação de alma.
    Agora, o que não dá pra entender é por que esta "danada" de aranha-alma-sebosa, nova espécie de Gasparzinho, só gosta de dar o "ar da graça" perto do dia dos mortos! Tinha que ser em Recife mesmo. O fato é que vocês poderão ver os depoimentos, devidamente liberados pelo Jorge e Daniela, além das duas aparições do nosso "Fantasma do Marante Plaza Hotel". 


Foto e Vídeo do Gasparzinho do Marante em sua primeira aparição:


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Foto do Gasparzinho do Marante em sua segunda aparição:
    

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domingo, 25 de novembro de 2012

Série Argentina - Cemitério da Recoleta, A Dama de Branco - fantasma da adolescente que morreu duas vezes

    A assombração mais comentada de todo o cemitério da Recoleta, a Dama de Branco, aparece para os turistas e funcionários quase todos os dias.  Conta-se que ela vaga pelo local e volta para o seu mausoléu. Sem se distanciar muito dalí. Mas, quem seria esta mulher?
    Trata-se uma adolescente, de 19 anos, que chavama-se Rufina Cambaceres (foto ao lado), filha do escritor Eugenio Cambaceres.
    Pelos registros do cemitério ela morreu por duas vezes.  Mas, como pode uma pessoa morrer duas vezes? De fato, isso aconteceu! Pelo menos, foram estes os diagnósticos dados pelos médicos da família.
    As circunstâncias que envolveram as "mortes" da jovem foram trágicas e  ocorreram em 1902.

Da festa para a morte

    A vida de Rufina era digna de um romance. Pelos relatos ela foi uma pessoa introspectiva e ficou ainda mais deprimida com a morte do pai. Tinha um noivo, porém poucos amigos. Mas, era muito próxima da mãe. Elas se davam bem até a descoberta que iria culminar na sua "primeira morte".
    No dia em que completaria 19 anos a mãe da jovem preparou uma grande festa, quando iria apresentá-la a sociedade. De acordo com informações, o evento aconteceria no Teatro Colón, o mais importante de Buenos Aires. Mas, Rufina não sobreviveu a revelação que veio depois da festa.
    Ela descobriu que a mãe tinha um caso o seu noivo e teria entrado em choque. À noite foi encontrada morta em seu quarto, segundo o médico da família. Logo depois foi sepultada.
    Outra versão, contada pelo guia do cemitério, fala que Rufina caiu "morta" em plena comemoração de aniversário na frente da família quando ganhara um colar da mãe.

A descoberta trágica
                                                                                    
    Um dos fatos mais aterrorizantes desta história é que quatro dias depois de sua morte, a mãe foi ao cemitério colocar flores e lá foi apresentada a pior cena. O caixão de Rufina estava fora do lugar e com a tampa quebrada.
    Foram investigar o que teria ocorrido e o fato é que a jovem não havia morrido, e sim, teve um ataque de catalepsia, doença que faz com que a pessoa pareça morta durante horas, com os membros rígidos, porém ficam o tempo todo conscientes. Imaginem só...Sendo colocada num caixão com vida e consciente!
    Após sair da crise a jovem tentou livrar-se daquela situação, porém sem sucesso. Informações dão conta de que a tampa do caixão, as mãos e o rosto dela estavam arranhados. Certamente pelo desespero.
    Esta foi a "segunda", mas a real morte de Rufina, asfixia.  Para a nova cerimônia foi feito um lindo mausoléu, ao lado do primeiro.
    O Caixão de mármore é belíssimo. Na frente, uma escultura, do artista de origem francesa Richard Aigher,  representando Rufina abrindo uma porta, que pode ser à entrada dela para o mundo dos mortos. Confesso que me arrepiei muito naquele lugar e me sentia observada.
    De acordo com o guia local, senhor Oswaldo, o fantasma da jovem aparece, porque não descansou em paz. "Rufina morreu sem ar, sem saber por que fizeram isso com ela. " - disse com a voz embargada.        
    Depois desse caso, as leis argentinas ficaram mais rígidas quanto aos velórios, que passaram a ter mais tempo duração para evitar que novos casos de catalepsia, seguidos de morte, se repetissem. Além da exigência de exames de comprovação de falecimento.

Minha impressão do local

    Depois de ouvir esta história não há como não se envolver. Deixar a emoção comandar, pelo menos no início da investigação. Parei, respirei e comecei com as fotos e medições. O Mausoléu tomava a esquina de uma das "ruas" do cemitério. Do lado direito onde estava o primeiro caixão as oscilações de temperatura estavam mais fortes,  mas o medidor de ondas eletromagnéticas esteve apenas até o ponto dois. Estável. Senti muita aflição e sensação de angústia.
    Do lado direito houve ausência de oscilação nos aparelhos. Na câmera fotográfica nada foi registrado. Nas gravações de vídeo apenas o vento fazia a sua participação especial com muitos ruídos cinematográficos. Um local que à noite pode ser mais "vivo" do que durante o dia.


    Não pude ver a Dama de Branco, mas do fundo do coração desejo que ela siga o caminho da paz.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Série Argentina - Cemitério da Recoleta, local para "lembrar"


    O nome deste cemitério traduz muito sentimento, afinal Recoleta quer dizer "lembrar" e não há como não lembrar dos entes queridos que lá se encontram respeitosamente depositados em belíssimas estruturas. Verdadeiras obras de arte incrustadas num dos bairros mais antigos e belos de Buenos Aires, que também se chama Recoleta.  

    Neste local, que já foi mosteiro, tive aulas de história inesquecíveis, cujo guia, ex-combatente de guerra, me deixou embevecida pelo carinho com o qual falava de cada pessoa e obra de arte que ali se encontrava. Carinho especial pelo local de onde tira o seu sustento. São muitos turistas há ouvir sobre vida, morte, dor, esperança e paz. Mas, sobre ele, o guia, irei escrever depois.

    Digo que apenas uma matéria não dará para contar as várias histórias que ouvi. Sim histórias não estórias. São reais, não ficções. 
    Com mais de 70 mausoléus declarados como patrimônio histórico, o cemitério mais antigo da cidade(desde 1822) abriga celebridades do meio artístico, presidentes, militares famosos, cientistas, heróis da independência e anônimos que se tornaram famosos através das falas dos guias locais que dão, por vezes, até mais destaque ao contar o que ocorreu com suas vidas e desfechos. Segundo consta, quem passar por lá passa pode dar de cara com alguns destes ilustres “moradores” até a luz do dia.

    Claro que o local mais visitado é o mausoléu de Evita Perón. Grande mulher a frente do seu tempo, mãe dos pobres! Mulher forte que foi vencida por um câncer de útero que ceifou sua vida aos 33 anos. O povo ficou órfão, mas ganhou um mito. Confesso que fiquei bem arrepiada ao estar alí. Um fato muito inusitado aconteceu e irei contar mais tarde. 
    Mas, nem tudo era só beleza. Muitos sepulcros e mausoléus abandonados, além de turistas sem escrúpulos, abrindo as portas, violando e entrando nos locais de descanso para fazer fotos, junto com os caixões.

    Estes caixões possuem um tratamento diferenciado. Totalmente diferente do que fazemos aqui. Basta dizer que só há um único túmulo em que uma pessoa foi enterrada. Uma mulher, esposa do um dono de jornal. Apenas este. Lá eles não enterram seus mortos. Não há contato com a terra.
    Ao final da visita fomos brindados por uma cerimônia de despedida de uma monja, freira. Só Deus mesmo pra nos mostrar o ritual na hora em que imos embora daquele belo lugar.

Minha impressão do local    
    
    
    Gravei alguns vídeos, fiz fotos, áudios e vou dizer que voltaria lá milhões de vezes. É um local de paz, muita paz, porém com a mesma intensidade de energia de um local povoado de espíritos, alguns que ainda não puderam encontrara a paz e o descanso eterno.    

domingo, 18 de novembro de 2012

Série Recife - A Cruz do Patrão, ponto de encontro das almas penadas

Marco de navegação e símbolo de dor

    Trata-se do lugar mais mal assombrado do Recife, segundo relatos eternizados em obras da literatura bem como nos periódicos e registros locais. A Cruz do Patrão está localizada na área do Porto de Recife às margens do Rio Beberibe, entre as fortalezas do Brum e do Buraco, e servia como ponto de referência para os barcos atracarem. O balizamento se dava através de uma linha reta formada pelo alinhamento da visão do piloto da embarcação com a coluna da Cruz e esta, por sua vez, com a Igreja de Santo Amaro das Salinas. A combinação das imagens determinava a direção correta da navegabilidade do canal de acesso ao ancoradouro. Além disso, sua história marcada pela crueldade que imperava no local, torna a atmosfera mais assombrosa, o que é interessante para pesquisa.
    Há várias narrativas documentadas e o histórico de sofrimentos, ali acontecidos, faz com que o lugar se torne propício para atividades paranormais. Na Cruz aconteceram atrocidades com escravos, que eram torturados e mortos, principalmente os chamados "pagãos" que vinham nos navios negreiros da África. Além disso, lá eram fuzilados os soldados e presos políticos condenados a pena capital, isso até o século XIX. Também a areia da maré era um ponto facilitador para os sepultamentos no descartar dos corpos ali supostamente jogados.
   
Medo e abandono

    Um fato que entristece qualquer pessoa que pesquisa história é ver marcos e símbolos abandonados. Isso acontece com a Cruz do Patrão. Largado a própria sorte o monumento está com a atmosfera ainda mais sinistra. Impossível ir a noite, devido a falta de segurança e iluminação. Então, fui ao local pela manhã e lá não havia muita gente para dar depoimento. Apenas o taxista, senhor Joel de 81 anos, 50 dedicados a profissão, nos contou que o local era maldito e de almas penadas. "Vim com senhora porque me pediu. À noite eu lhe digo que nem pagando. Isso aqui tem alma. Alma que não tem descanso" - disse o trabalhador só pensando no medo pelas histórias e ignorando o perigo pela falta de segurança.
    Pelo lado emocional concordo com as palavras do senhor Joel. Afinal, foram almas "arrancadas" de seus corpos de forma bem dolorosa. Para quem acredita, há ainda muita revolta e dor por lá. Dizem que quem passa pela Cruz à noite pode ser perseguido por espíritos maléficos e pelas almas que nunca descaçaram em paz. Há ainda quem diga que algumas pessoas chegaram a desaparecer. Será?  
    De acordo com pesquisas o local permeia fatos que mesclam ficção e realidade, como o assassinato de um estudante aos pés da Cruz. Um soldado condenado pelo crime foi elevado à cadeia em Fernando de Noronha e quando foi provada a sua inocência já era tarde. Ele havia morrido na prisão. Na realidade quem matou o estudante foi indivíduo que disse ter praticado o assassinato porque foi "possuído" por um espírito do mal. Além disso, o lugar se tornou ponto de encontros de seitas religiosas e feiticeiros.
   O fato é que apesar de toda contribuição para a cultura local, para a história de Recife, o monumento está abandonado, mas há quem lute para tombá-lo como patrimônio histórico. Esta pessoa é o historiador Leonardo Dantas Silva, membro do Conselho Estadual de Cultura e pesquisador do Instituto Ricardo Brennand. Ele levou ao plenário a proposta de tombamento da Cruz do Patrão, em caráter de urgência, com documentação comprobatória de suas origens, finalidade e importância histórica.
    A proposta foi acolhida por unanimidade e já foi encaminhada pelo Conselho ao Secretário de Cultura e seguirá os trâmites normais que o caso requer, aguardando, ao final, a emissão do  parecer que é de sua atribuição, antes de encaminhar o projeto ao Governador para homologação.

    E a gente que ama história fica no torcida!

Minha impressão do local

    Pude constatar variações de energia nos campos eletromagnéticos, mas nas câmeras nada foi registrado. Um fato interessante foi por duas vezes meus equipamentos arriarem a bateria, que haviam sido carregadas até o "talo". O que me impediu de continuar.
    Segundo consta nas literaturas voltadas para a área de pesquisas paranormais os espíritos quando querem se manifestar se utilizam de fontes de energias, como baterias de equipamentos eletrônicos, chegando a zerar suas cargas. Mas, infelizmente não consegui nenhum registro documentado. Apenas sensações de estar sendo observada e visões pelo canto dos olhos. Experiências pessoais.  
    O ideal será retornar à noite, com a devida segurança, para investigar as supostas aparições.